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Brinde do Senhor Presidente da República por ocasião do jantar em honra dos Chefes de Estado e de Governo e das outras personalidades que participam na Cimeira Itália – África

Estimados convidados,

Gostaria de dar as mais calorosas boas-vindas a todos. Apraz-me particularmente receber-vos aqui, no Quirinale, por ocasião desta primeira Cimeira entre África e Itália a nível de Chefes de Estado e de governo.

A intenção e a esperança é poder realizar, após o intenso diálogo encetado nos anos passados com as conferências ministeriais Itália-África, uma relação ainda mais forte e estruturada entre o continente africano e o nosso País.

Nos anos do meu mandato tive a oportunidade de apreciar constantemente a realidade de um continente dinâmico e empreendedor, com características culturais múltiplas e profundas, habitado por mulheres e homens jovens que encaram o futuro com confiança.

A vossa presença aqui esta noite – numerosa e qualificada – dá expressão concreta à amizade, sólida e sincera, que une os nossos povos: a República Italiana está-vos muito grata.

Trata-se de laços alimentados também pela presença em Itália de numerosas comunidades de origem africana, que são parte ativa e vital da nossasociedade e que, com o seu precioso trabalho, contribuem para o crescimento económico e culturaldo nosso País.  

É uma das manifestações dessa globalização que une os destinos dos nossos dois continentes, fortemente interligados entre si.

Somos desafiados por causas comuns que põem em risco o valor da paz e, por conseguinte, o destino da humanidade.

Explorar o extraordinário potencial de desenvolvimento das relações entre África e Europa no terreno político, para extinguir os focos de tensão e de conflito, no terreno económico, para realizar uma produção sustentável e uma distribuição equitativa dos recursos, para incrementar o património das nossas respetivas culturas, é a tarefa com que nos deparamos.

Num mundo marcado por velhas e novas fraturase instabilidades, a África detém chaves essenciais para definir a qualidade e a eficácia das respostas que a comunidade internacional é chamada a dar com base no percurso traçado pela própria União Africana com a Agenda 2063.

Por conseguinte, é necessário que a voz dos Países Africanos encontre cada vez mais espaço nas instâncias internacionais: um objetivo em que a Itália e a União Europeia estão firmemente empenhadas e que assinalou um primeiro marco importante com a adesãoplena da União Africana no G20.

Ilustres convidados,

A União Europeia é portadora de uma visão alicerçada no valor de um multilateralismo eficaz, assente em princípios universais.

Princípios que a Itália soube traduzir na construção de parcerias equilibradas e respeitosas dos direitos de cada povo, segundo um modelo que soube interpretar bem um líder como Enrico Mattei, um dos protagonistas da luta em prol da liberdade do povo italiano e, precisamente por isso, um acérrimo defensor do percurso de independência e de libertação dos povos africanos.
Podemos e devemos trabalhar para uma visão elaborada conjuntamente.

O preço de uma nossa incapacidade a este respeito seria pago pelas futuras gerações, às quais não podemos entregar sociedades empobrecidas, ambientes degradados, migrações como dolorosa resposta a problemas não resolvidos.

A gama de colaborações possíveis é vasta: as perspetivas de integração económica ligadas ao lançamento de uma zona de comércio livre continental africana; a industrialização e a realização de produções com maior valor acrescentado, de modo a valorizar localmente as enormes riquezas naturais; a modernização tecnológica; energia e infraestruturas; um renovado e forte compromisso nos temas da educação e da formação; da saúde; um esforço comumpara extirpar as raízes do terrorismo e contrastar as ressurgências de ideologias imperialistas ultrapassadas.

Respostas necessárias, também à luz do impetuoso crescimento demográfico do continente africano.

É uma agenda na qual a República Italiana está pronta para desempenhar o seu papel, também no âmbito da Presidência do G7, e para oferecer o seu contributo ativo e significativo, começando por manter o compromisso financeiro em prol do continente africano.

É a cooperação que impulsiona o progresso.

Ilustres convidados,

um provérbio africano de grande sabedoria diz: Se quer ir rápido, vá sozinho e quer ir longe, acompanhado”.  

Para que o nosso caminho seja comum, rumo aos objetivos do bem-estar e da paz em África, na Europa e no mundo, é necessário mobilizar as nossas respetivas vontades conjuntamente.

Com estes votos, renovo as minhas mais calorosas e sinceras boas-vindas a Itália, desejando saúde e prosperidade a todos vós e aos amigos dos povos africanos.

Palácio do Quirinale, 28/01/2024 (II mandato)

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